O que faz uma fotografia de família permanecer no tempo

Recentemente eu tive a oportunidade de participar de um dos maiores encontros de fotógrafos do mundo, a WPPI, em Las Vegas. E durante alguns dias estive imersa em palestras, conversas, referências e muitas imagens.

Em eventos assim se fala muito sobre técnica, equipamentos, tendências e mercado. E claro, tudo isso é importante. Mas, no meio de tantas discussões, uma pergunta ficou ecoando na minha cabeça durante toda a viagem:

o que faz uma fotografia realmente permanecer no tempo?

Não estou falando de uma foto bonita que chama atenção hoje. Estou falando daquelas imagens que, anos depois, continuam tocando quem olha.

Depois de mais de uma década fotografando famílias, gestantes e recém-nascidos aqui no estúdio em Recife, percebo que as fotografias que realmente atravessam o tempo têm algo em comum: elas carregam verdade.

Não são necessariamente as mais elaboradas. Nem as mais produzidas.

São aquelas em que algo real aconteceu.

O olhar entre mãe e filho que dura apenas um segundo.

Uma risada espontânea no meio da bagunça.

O abraço apertado que ninguém pediu para acontecer.

Muitas vezes, quando uma família chega ao estúdio, existe uma preocupação natural com roupas, cenários ou poses. E tudo isso faz parte da experiência, claro. Mas com o tempo percebi que o que realmente faz uma fotografia se tornar importante não está nesses detalhes.

Está na presença.

Quando a família se permite estar ali de verdade, quando o momento deixa de ser uma “sessão de fotos” e passa a ser simplesmente um pedaço da vida acontecendo, é aí que a fotografia ganha força.

Talvez por isso eu goste tanto de trabalhar com cenários simples, luz natural e ambientes que acolhem. Pois tudo isso é coadjuvante, é pano de fundo, é apoio e vem para servir a família e não “competir” com ela, assim sobra espaço para aquilo que realmente importa aparecer.

E é curioso pensar como, muitas vezes, os momentos mais comuns acabam sendo os mais preciosos com o passar dos anos.

A infância muda rápido. As fases passam. A rotina da família se transforma sem que a gente perceba.

Fotografar não é só registrar como alguém estava num determinado dia. É reconhecer, naquele instante aparentemente simples, algo que merece ser guardado. Talvez seja justamente isso o que mais me move nesse trabalho.

Voltar de uma viagem cheia de referências e perceber que, no fundo, aquilo que mais importa continua sendo o mesmo: as histórias reais das famílias que passam pelo estúdio.

Porque, no fim das contas, as fotografias que permanecem não são apenas bonitas.

Elas são verdadeiras.

Um abraço,

Andréa Leal

andrealealfotografia

Eu sou Andréa Leal, e sempre achei importante que a minha fotografia falasse por mim.

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