Esses dias, enquanto fotografava algumas mães e seus filhos, fiquei pensando em como certos momentos passam rápido demais enquanto ainda estão acontecendo.
A infância é assim.
Quando a gente vive, parece rotina.
O abraço apertado.
A mão pequena procurando a da mãe.
O jeito como o filho ainda encaixa no colo.
Tudo parece tão presente…
que quase dá a sensação de que vai continuar igual por muito tempo.
Mas não continua.
E talvez seja justamente por isso que algumas fotografias carreguem tanto valor.
Porque elas conseguem guardar aquilo que o tempo inevitavelmente transforma.
Posso dizer que o que vivemos esses dias no estúdio não foram apenas ensaios de Dia das Mães.
Foram pequenos encontros entre mães e filhos em uma fase que, daqui a alguns anos, já será outra.
E existe algo muito bonito quando uma mãe decide estar presente nessas imagens.
Não pela estética.
Nem pela perfeição.
Mas porque, um dia, aquele filho vai olhar para essas fotografias procurando exatamente isso:
a presença dela.
O jeito como olhava.
Como segurava.
Como estava ali.
Talvez esse seja um dos maiores sentidos da fotografia de família.
Não interromper o tempo.
Mas criar pequenas formas de voltar até ele.
E, no fim, talvez seja isso que fica depois que o Dia das Mães passa.
Aquilo que foi vivido,
e agora também pode ser lembrado.
Um abraço,
Andréa Leal
