Estamos criando lembranças… ou apenas acumulando fotos no celular?

Posso te fazer uma pergunta?

E promete que vai responder com sinceridade?

Quantas fotos você tem hoje no celular? Mil? Cinco mil? Dez mil?

Agora vem a segunda pergunta…

Quando foi a última vez que você voltou para olhar essas fotos?

Pois é…

Eu tinha quase certeza. A gente fotografa tudo. O café bonito. O filho dormindo no sofá. O cachorro fazendo graça. A viagem. O aniversário. O pôr do sol. A roupa nova.

E, claro, aquele momento em que a criança faz alguma coisa tão fofa que a gente pensa:

“Preciso registrar isso!”

Resultado?

Mais uma foto. Mais um vídeo. Mais um arquivo.

Agora deixa eu puxar sua orelha, mas com carinho.

Será que a gente está fotografando para lembrar… ou só porque ficou fácil fotografar?

Porque existe uma diferença enorme entre registrar um momento e simplesmente apertar um botão.

Vou te dar um exemplo.

Você provavelmente não lembra de tudo o que fez no último sábado.

Mas tenho certeza de que lembra daquele almoço na casa da sua avó.

Ou daquela receita que só ela sabia fazer.

Ou da festa junina em que passou a noite inteira correndo com os amigos, rodando estrelinha e esperando a hora da fogueira.

Percebe?

O que ficou não foi a quantidade de fotos. Foi a experiência.

A fotografia só ganhou valor porque existia uma história por trás dela.

E talvez seja justamente esse o nosso maior desafio hoje.

Nunca produzimos tantas imagens.

Mas nunca foi tão difícil encontrar aquelas que realmente importam.

Elas ficam perdidas entre prints, boletos, receitas, vídeos recebidos no grupo da família e mais umas trezentas fotos praticamente iguais.

E olha que curioso…

Quando alguém da próxima geração quiser conhecer a história da sua família, será que vai conseguir encontrá-la?

Ou vai desistir depois de deslizar a tela por cinco minutos?

Às vezes eu tenho a sensação de que estamos confundindo quantidade com memória.

Como se fotografar muito fosse garantia de lembrar mais.

Mas não é.

As lembranças mais bonitas quase nunca são as mais numerosas. São as mais significativas.

Talvez esteja na hora de fotografar um pouco menos…

E viver um pouco mais. Escolher melhor. Guardar melhor.

Até porque ninguém sente saudade das mil fotos que fez em um único dia.

Sentimos saudade daquele abraço. Daquela gargalhada. Daquela fase. Daquelas pessoas.

As fotografias existem para nos levar de volta a esses lugares.

Não para ocupar espaço na memória do celular.

Mas para ocupar espaço na memória da família.

Então fica aqui um desafio.

Hoje, antes de fazer mais uma foto qualquer, abre a galeria do seu celular.

Escolhe uma imagem de alguns anos atrás. Olha para ela com calma. Revive aquele dia. Depois me conta uma coisa.

Você estava guardando apenas uma fotografia…

Ou estava guardando um pedaço da sua história?

Um abraço,

Andréa Leal.

andrealealfotografia

Eu sou Andréa Leal, e sempre achei importante que a minha fotografia falasse por mim.

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