As tradições que uma família escolhe manter

Todo mês de junho acontece uma coisa curiosa.

As cidades mudam.

As ruas ganham bandeirinhas.

As escolas organizam apresentações.

Receitas reaparecem na mesa.

Músicas que não ouvimos durante o ano inteiro voltam a tocar.

E, sem perceber, participamos de algo muito maior do que uma simples comemoração.

Participamos de uma tradição.

Talvez seja justamente por isso que algumas datas ocupem um lugar tão especial na nossa memória.

Não porque eram perfeitas.

Mas porque aconteciam todos os anos.

E basta um pequeno detalhe para que tudo volte.

O cheiro do milho cozinhando.

A fumaça da fogueira.

Uma música tocando ao longe.

De repente, você não está mais aqui.

Está na casa da sua avó.

Na varanda da casa dos seus pais.

Na rua onde cresceu.

Talvez você lembre daquela canjica que ninguém mais consegue fazer igual.

Ou do bolo de milho que só existia nessa época do ano.

Talvez lembre da mesa cheia, das conversas atravessando a noite ou da expectativa para vestir a roupa da quadrilha.

Eu, particularmente, acredito que os cheiros têm um poder especial.

São eles que mais me transportam.

O cheiro do amendoim torrando.

Da canela.

Do milho.

Do café passado enquanto a família se reunia.

É impressionante como um simples aroma consegue atravessar décadas e nos levar exatamente para um lugar que parecia esquecido.

E não são apenas as comidas.

São as experiências.

As brincadeiras.

As estrelinhas riscando a noite.

As bombinhas estourando na rua.

As crianças correndo juntas.

A felicidade de encontrar os amigos da escola fora da escola.

Naquele momento, ninguém imaginava que estava construindo uma lembrança.

Mas estava.

As tradições têm esse poder silencioso.

Elas criam pontos de referência na nossa história.

São elas que ajudam a transformar o tempo em lembrança.

E o mais interessante é que nem sempre precisam ser grandes.

Algumas das tradições mais marcantes nascem dentro de casa.

O almoço de domingo.

O filme assistido em família.

A receita preparada juntos.

A visita aos avós.

A sobremesa que aparece em todas as comemorações.

Quando pensamos nas histórias que carregamos da infância, muitas delas não são acontecimentos extraordinários.

São repetições.

Momentos que voltaram a acontecer tantas vezes que acabaram construindo um sentimento de pertencimento.

Em um mundo que muda cada vez mais rápido, talvez exista algo muito valioso em manter algumas coisas.

Não por obrigação.

Mas porque elas nos lembram quem somos.

E de onde viemos.

Talvez a pergunta mais bonita deste mês de junho seja:

Quais tradições sua família está construindo hoje que alguém ainda vai lembrar daqui a vinte anos?

Um abraço,

Andrea Leal.

andrealealfotografia

Eu sou Andréa Leal, e sempre achei importante que a minha fotografia falasse por mim.

Deixe um Comentário





Últimos Posts