A casa que existe entre as fotos

Nem sempre percebemos, mas as casas também têm fases.

Existe a casa dos brinquedos espalhados pela sala.

A casa das mamadeiras sobre a bancada.

A casa das mochilas jogadas perto da porta.

A casa das portas batendo, dos desenhos colados na geladeira, dos sapatos deixados pelo caminho.

Durante anos, vivemos dentro desses cenários sem prestar muita atenção neles.

Talvez porque estejamos ocupados demais vivendo.

Arrumando.

Organizando.

Resolvendo.

Mas um dia algo muda.

O brinquedo desaparece.

A mochila fica maior.

O quarto ganha novos interesses.

E aquela fase da casa vai embora junto com a fase de quem vive nela.

Curiosamente, quando sentimos saudade, raramente lembramos apenas das pessoas.

Lembramos dos lugares.

Da mesa onde todos se reuniam.

Do sofá onde aconteciam as conversas.

Do corredor por onde os filhos corriam.

Da janela onde entrava a luz no fim da tarde.

As casas guardam marcas invisíveis.

Elas testemunham aniversários, despedidas, conquistas, choros e recomeços.

São o palco silencioso das histórias mais importantes da nossa vida.

Talvez por isso algumas imagens tenham tanto significado anos depois.

Porque elas não mostram apenas quem estava ali.

Mostram também o lugar onde tudo aconteceu.

E, sem perceber, acabamos descobrindo que a saudade mora tanto nas pessoas quanto nos espaços que fizeram parte da nossa história.

Hoje, antes de seguir para o próximo compromisso, olhe por alguns segundos para a sua casa.

Não para a bagunça.

Não para o que precisa ser feito.

Mas para tudo o que está sendo vivido aí dentro.

Porque um dia esses detalhes também serão lembranças.

Um abraço,

Andréa Leal.

andrealealfotografia

Eu sou Andréa Leal, e sempre achei importante que a minha fotografia falasse por mim.

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