O álbum de família acabou. E talvez a gente só perceba isso daqui a alguns anos.

Se alguém perguntasse onde estão as fotografias da sua infância, talvez você soubesse responder sem pensar.

Em um álbum na estante. Em uma caixa guardada no armário. Na casa dos seus pais ou dos seus avós.

Agora faça outra pergunta. Onde estão as fotografias dos seus filhos?

Provavelmente a resposta será diferente. No celular. Na nuvem. Em algum HD. Em uma conversa do WhatsApp. Em uma pasta que você pretende organizar “quando tiver tempo”.

Nunca fizemos tantas fotografias. E, ao mesmo tempo, talvez nunca tenhamos visto tão poucas delas.

Vivemos cercados por imagens. Registramos o café da manhã, a viagem, o aniversário, a apresentação da escola, o cachorro dormindo no sofá. Mas, depois de alguns dias, essas fotografias desaparecem no rolar infinito da galeria. Não porque deixaram de ser importantes. Mas porque foram substituídas por centenas de novas imagens.

Antigamente, o álbum de família tinha um ritual. Era aberto em um domingo qualquer. Passava de mão em mão. Cada fotografia despertava uma história.

“Olha como você era pequeno.”

“Lembra desse dia?”

“Essa era a casa da sua avó.”

As imagens não serviam apenas para mostrar rostos. Elas mantinham vivas as conversas.

Hoje, o álbum continua existindo. Só mudou de lugar. E talvez esse seja justamente o problema. Guardamos nossas lembranças em dispositivos que quase nunca abrimos para revivê-las.

As crianças crescem deslizando o dedo pela tela. Mas raramente têm a oportunidade de sentar ao lado dos pais ou dos avós para ouvir as histórias por trás de cada fotografia. E, no fim das contas, talvez seja isso que transforme uma imagem em um legado.

Não é apenas a fotografia.

É a conversa que ela provoca.

É o riso que ela desperta.

É a memória que ela resgata.

Talvez o verdadeiro álbum de família nunca tenha sido feito apenas de papel. Ele sempre foi feito de encontros. De histórias contadas mais de uma vez. De pessoas reunidas em volta de uma lembrança.

A tecnologia nos deu o privilégio de registrar quase tudo.

Agora, talvez o desafio seja outro.

Encontrar maneiras de fazer com que essas histórias continuem sendo vistas, compartilhadas e vividas.

Porque uma fotografia esquecida em uma galeria é apenas um arquivo.

Mas uma fotografia que volta para as mãos de uma família continua cumprindo o seu papel: lembrar às pessoas de onde vieram, de quem amam e de tudo o que viveram juntas.

Talvez ainda dê tempo de abrir a galeria do celular hoje.

Não para apagar fotos.

Mas para escolher algumas que merecem sair da tela e voltar a fazer parte da história da sua família.

Um abraço,

Andréa Leal.

andrealealfotografia

Eu sou Andréa Leal, e sempre achei importante que a minha fotografia falasse por mim.

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