As férias sempre acabam.
Os uniformes voltam para o armário.
Os despertadores deixam de tocar mais tarde.
A mochila reaparece perto da porta.
E, aos poucos, a casa volta ao ritmo de sempre.
Mas talvez essa não seja a pergunta mais importante.
A pergunta é:
O que uma criança leva consigo quando as férias terminam?
Provavelmente não será a viagem inteira.
Nem todos os passeios.
Nem a programação que os pais prepararam com tanto carinho.
Talvez ela guarde a lembrança de uma guerra de travesseiros.
De um banho de chuva inesperado.
De um sorvete dividido no fim da tarde.
De uma receita feita junto com a avó.
De uma caminhada sem destino
Ou daquele dia em que ninguém olhou para o relógio.
É curioso!
Nós, adultos, costumamos medir as férias pelo que conseguimos fazer.
As crianças quase sempre as medem pelo que conseguiram sentir.
Elas não colecionam roteiros.
Colecionam sensações.
A segurança de uma mão que nunca foi solta.
As gargalhadas durante uma brincadeira.
A conversa demorada antes de dormir.
O abraço depois de um dia inteiro juntos.
Talvez seja isso que realmente permaneça.
Porque crescer não é lembrar de todos os lugares por onde se passou.
É lembrar de como alguém fez você se sentir enquanto tudo aquilo acontecia.
E, quando a rotina voltar amanhã, que ela leve consigo não apenas o descanso das férias, mas a certeza de que, por alguns dias, esteve exatamente onde mais precisava estar:
perto de quem ama.
Um abraço,
Andréa Leal
