Existem fotografias que impressionam no momento em que são feitas.
E existem aquelas que crescem com o tempo.
As que envelhecem bem.
Curiosamente, quase nunca são as mais elaboradas.
São as imagens simples.
As silenciosas.
As que parecem carregar mais verdade do que intenção.
Talvez porque o tempo tenha uma forma muito particular de selecionar o que permanece.
Com os anos, detalhes que antes pareciam pequenos começam a ganhar importância.
O jeito como uma criança segurava a mão da mãe.
Um olhar distraído.
O corpo ainda pequeno encaixado no colo.
Coisas que, no presente, pareciam apenas parte da rotina.
Mas que, no futuro, se transformam em memória.
E talvez seja isso que mais me atravessa quando fotografo famílias.
A tentativa de criar imagens que não dependam de tendência, excesso ou grandes produções para continuar fazendo sentido daqui a muitos anos.
Fotografias que possam acompanhar uma família ao longo do tempo sem perder valor.
Porque algumas imagens não existem apenas para serem vistas agora.
Elas existem para permanecer.
E talvez esse seja o verdadeiro desafio da fotografia.
Não criar algo que impressione imediatamente.
Mas algo que continue tocando mesmo depois que o tempo passa.
Um abraço,
Andréa Leal
