O que a sua casa está contando sobre a sua família?

Existe uma pergunta que quase nunca fazemos.

Se alguém entrasse hoje na sua casa, sem conhecer a sua família, o que conseguiria descobrir sobre vocês?

Talvez percebesse os brinquedos espalhados pela sala.

Os desenhos presos na geladeira.

A mochila deixada perto da porta.

O livro que sempre fica aberto sobre a mesa.

O cobertor preferido no sofá.

A planta que alguém ganhou de presente e faz questão de cuidar.

As casas contam histórias.

Mesmo quando ninguém percebe.

Elas revelam que existe uma criança que gosta de desenhar.

Que alguém adora cozinhar aos domingos.

Que existe um cachorro que sempre espera na janela.

Que há risadas, encontros, bagunças e uma rotina que faz sentido apenas para aquela família.

É curioso pensar nisso.

Porque, enquanto vivemos, quase nunca prestamos atenção aos detalhes.

Estamos preocupados em organizar a casa.

Guardar os brinquedos.

Lavar a louça.

E, sem perceber, deixamos passar aquilo que torna aquele lugar único.

Talvez você já tenha sentido isso ao voltar para uma casa onde viveu.

De repente, um cheiro, um cantinho da cozinha ou a luz entrando pela janela são suficientes para despertar lembranças que pareciam adormecidas.

Percebemos, então, que não sentimos saudade apenas das pessoas.

Sentimos saudade dos lugares onde fomos felizes com elas.

Da casa onde os filhos deram os primeiros passos.

Da mesa onde tantas conversas aconteceram.

Do sofá onde cabiam filmes, cochilos e abraços de domingo.

São lugares comuns.

Mas nunca foram apenas cenários.

Foram testemunhas silenciosas da vida acontecendo.

Talvez seja por isso que algumas fotografias tenham tanto poder.

Elas não registram apenas rostos.

Elas preservam o ambiente onde aquela história foi vivida.

Anos depois, um detalhe que parecia sem importância pode ser justamente o que mais emociona.

A cortina da sala.

O azulejo da cozinha.

A cadeira preferida do avô.

O desenho torto preso na geladeira.

O berço que hoje já não existe mais.

Quando olhamos uma fotografia antiga, percebemos que ela guardou muito mais do que imaginávamos.

Guardou um jeito de viver.

Uma fase da família.

Uma casa cheia de pequenas marcas que, na correria do dia a dia, passavam despercebidas.

Talvez hoje a sua casa pareça apenas… comum.

Mas, daqui a alguns anos, ela poderá ser um dos lugares mais preciosos da memória dos seus filhos.

Porque o tempo transforma paredes em lembranças.

E aquilo que hoje parece apenas rotina, um dia será chamado de infância.

Um abraço,

Andréa Leal.

andrealealfotografia

Eu sou Andréa Leal, e sempre achei importante que a minha fotografia falasse por mim.

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