Você tem fotos suas de Natal quando era criança?

Eu fiquei pensando nisso esses dias.

Você tem?

Não uma foto qualquer de dezembro. Estou falando daquelas em que aparece a árvore, a roupa que você usava, quem estava na sala, a casa, os enfeites. Às vezes até um móvel que hoje nem existe mais.

Eu acho que muita gente tem poucas.

E talvez por isso, quando uma dessas fotos aparece, ela mexa tanto.

Porque ela nunca mostra só o Natal.

Mostra uma casa que mudou. Um pai mais novo. Uma avó que estava ali. Uma criança que cresceu. Um jeito de viver que já não existe do mesmo jeito.

E aí tem uma coisa que eu acho curiosa: hoje a gente fotografa o tempo inteiro.

Muito mais do que nossos pais fotografavam.

Só que quase tudo fica espalhado.

No celular. No WhatsApp. Na nuvem. Nos Stories. Em alguma pasta que ninguém lembra o nome.

E eu fico pensando no que os nossos filhos realmente vão ter nas mãos daqui a vinte anos.

Não estou dizendo que tudo precisa ser impresso. Não precisa.

Mas tem coisa que eu acho que merece sair da tela.

Natal é uma delas.

Porque ele se repete todo ano e, ao mesmo tempo, nunca é igual.

A criança cresce. A família muda. Tem gente nova. Às vezes tem gente que já não está. A casa muda. A rotina muda.

E quando a gente vê, aquele Natal específico passou.

Foi.

Talvez seja por isso que eu goste tanto desses registros.

Não pela roupa combinando.

Nem pela árvore perfeita.

Nem porque “foto de Natal é bonita”.

É porque daqui a muitos anos alguém pode abrir um álbum, olhar para uma imagem e dizer:

“Olha como a gente era.”

Pra mim, isso já basta.

Um abraço,

Andréa Leal

andrealealfotografia

Eu sou Andréa Leal, e sempre achei importante que a minha fotografia falasse por mim.

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